Correndo

21 de agosto de 2015 at 15:00 Deixe um comentário

Ligou o MP3, olhou a sua volta e o que viu foi a transformação daquela paisagem. A cada passo o concreto era preenchido pelo verde dos pastos, azul das lagoas e do céu. O trajeto não era longo, três, no máximo quatro quilômetros, sabia que tinha que voltar depois, por isso não abusava. A idade já não permitia longas distâncias, até porque começou tarde.
Na verdade não começou, fora obrigado. As primeiras corridas foram decorrentes a preparação de um concurso, pegou gosto, nunca mais parou.
Correr pra ele era melhor que o futebol, além de não ter contato físico, nunca jogara bem. Academia também nunca lhe agradou, era preguiçoso, levantar peso não fazia parte de suas prioridades.
Ainda batia uma bolinha de vez em quando, mais pelo contato social e a magia de fazer gols do que o exercício em si, porém as lesões decorrente do esporte bretão fazia com que a cada dia ele perdia um pouco mais de tesão de correr atrás da bola.
Futebol é pressão, já as corridas sessões de relaxamento mental. Podia caminhar quando se cansava e não havia ninguém que lhe cobrasse o lance perdido.
Os primeiros quilômetros levava de boa, sempre ouvindo coisa boa nos fones que lhe ajudava a desopilar, não precisava aumentar o ritmo, ali não precisa provar nada pra ninguém, era ele e a natureza.
Às vezes ficava acompanhando o plainar de algum pássaro, outras vezes o galopar de um cavalo, já em outras era o gado do outro lado da cerca que lhe seguia os passos.
Corria também no acostamento da pista, porém a onda era outra, os carros atrapalhavam a música, atrapalhava o ritmo, sujava o ar, poluía o ambiente. A passada no asfalto era mais dura, porém mais segura também, sem o risco de enfiar o pé em um buraco.
O chão quente magoava os pés, por outro lado facilitava aumentar a velocidade das passadas.
Nos dias de chuva corria na esteira, não tinha dúvida era mais prático e exigia um pouco mais, afinal o compasso constante fazia-o dançar de acordo com a música.
Era monótono, com certeza, só que ele não se deixava abater, ali ele podia ligar um vídeo ou reparar no quadro que se alternava a todo momento, seja janela a fora ou janela a dentro com a movimentação dos alunos.
Sabia que aquela rotina fazia bem para o seu corpo, porém o maior beneficiado era seu cérebro, as descargas de adrenalina e outras substâncias originadas dos exercícios físicos se misturavam ao relaxamento psíquico desses minutos em que esquecia os problemas e se concentrava naquele ideal.
Outro ponto positivo era a manutenção do seu peso, nunca mediu esforços para comer, não rejeitava nada, de jiló a lagosta, não tinha frescuras, traçava de tudo.
Mais um quesito que lhe agradava muito era o cansaço predominante daqueles dias, tudo bem que nunca tivera problemas em dormir, mas as noites pós corrida o sono lhe chegava com muito mais facilidade.
Não sabia até onde suas pernas o levariam e até quando teria fôlego em administrar suas passadas, só tinha certeza que a cada dia gostava mais daqueles momentos solitários, do cheiro da poeira ou da companhia dos carros e caminhões, do barulho do motor da esteira.
Há tempos as caminhadas deixaram de ser um hobby, uma obrigação, passara a ser algo prazeroso, que independente dos benefícios era algo que estava incutido em seu ser, algo que dificilmente se afastaria, algo que já fazia parte da sua vida.

                              Inibmort

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40 anos Mas eu me mordo de ciúmes…

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