Qual o Problema na Pirataria?

25 de novembro de 2015 at 15:00 Deixe um comentário

No Brasil, obter qualquer tipo de lucro em cima de material sem direitos autorais, ou direitos de utilização, distribuição e comercialização é crime. Mas será que é tudo assim, preto no branco? Será que as pessoas realmente têm que ser obrigadas a consumir algum tipo de produto, seja filmes, séries, quadrinhos, roupas, ou jogos?

A pirataria por aqui (e no resto do mundo) sempre foi um “problema”. De um lado, as distribuidoras, gravadoras e artistas alegando que é uma desvalorização do trabalho deles, que deixam de ganhar dinheiro pela arte que fazem e distribuem; do outro, os consumidores de pirataria que alegam usarem produtos ilegais, pois os originais são absurdamente caros. De certa forma, os dois pontos de vista estão certos!
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Para quê piratear?
O artista, estúdio, gráfica, ou desenvolvedor tem um gasto considerável com a produção do material, qualidade do produto final, divulgação, impostos sobre material utilizado, sobre mão de obra, sobre distribuição, além de vários outros impostos que encarecem um pouco mais o preço para as lojas que compram o produto para revender.
Isso tudo, somado à margem de lucro que cada um quer (geralmente muito alta), trás um produto, na maioria das vezes, bem salgado para as prateleiras.
Aí aparece o pirateiro. A pessoa baixa da internet, compra um produto original e faz várias cópias, ou mesmo entra no cinema com uma tekpix, digo câmera qualquer, faz uma filmagem “nas coxas” e vende. E o pirateiro pode ser até aquela empresa paraguaia/chinesa/coreana que vende um produto semelhante à um que já exista, mas com uma qualidade infinitamente inferior.
O ramo da tecnologia também é alvo frequente de falsificações, mas isso tem se revertido, já que o produto original é cada vez mais acessível. Os únicos ramos que a pirataria é extremamente forte são os da música, filmes(e séries) e dos games.
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Consumir Produto Pirateado é Crime até que ponto?
Essa semana a Polícia Federal prendeu os donos do Mega Filmes Online, apreendeu todos os equipamentos e tirou o site do ar. O site gerava, por mês, R$70,000,00. Você provavelmente ou já acessou ao site em algum momento, ou o acessava constantemente. E não só isso, sabe o produto do pirateiro? Você já consumiu, ou ainda vai consumir esse tipo de produto, mesmo sem saber.
Mesmo você acessando um site de downloads, baixando para uso próprio, ou copiando um DVD, ou CD para si, é sim pirataria. Uma empresa, artista ou quem quer que você esteja copiando está deixando de lucrar. Mas isso é crime? Se fosse, acho que só umas dez pessoas não estariam presas hoje em dia. Segundo o artigo 184 do código penal brasileiro, não é crime utilizar para uso próprio e sem fins lucrativos. Crime, no caso é para  quem tem algum tipo de lucro, seja direto, ou indireto em relação ao produto pirateado. Então pode ficar tranquilo, a Polícia Federal não vai bater na sua porta.
Mas a questão, que é, de certa forma cultural (já que antigamente o pessoal fazia as próprias fitas, pegando músicas e montando, ou compravam fitas com as faixas dos discos que queria ouvir, etc.), é: como resolver isso e todo mundo sair ganhando?
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Como Resolver?
Lembra quando eu disse que o ramo da tecnologia está mais acessível? Pois é, nessa área as pessoas se interessam mais pela qualidade do aparelho do que da qualidade da imagem e do som, mas o preço também interfere na escolha. Enquanto, por exemplo, os smartphones top de linha são extremamente caros, os de entrada, ou smartphones médios são bem mais baratos e fazem um serviço ótimo. Atendem bem as necessidades do usuário. O preço é atrativo, não precisa partir pro falsificado. E se as lojas, estúdios e distribuidoras aplicassem preços mais em conta?
“Ah, mas pra quê alguém deixaria de ter algo de graça para pagar por algo”? Lembra do ” Hoje Quero Voltar Sozinho “? A produtora do filme disponibilizou no Site a compra de uma versão “pirata oficial” por R$10,00, para atender apenas ao público que apenas queria assistir o filme; e meses depois lançou a versão bonitinha em blu-ray para quem queria colecionar.
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Lembra agora?

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Se as produtoras fizessem esse tipo de coisa, teriam mais lucro, já que venderiam uma versão muito barata do material e não perderiam pros camelôs/sites de download. E mesmo não sendo versão bonitinha, o consumidor teria uma cópia original e para a vida toda.
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E a demora pra chegar por aqui?
Mais uma das coisas que incentivam a pirataria é a demora para certos filmes e séries chegarem por aqui. Quando um músico lança um CD, geralmente tem como você comprar na mesma semana, mas e um filme estrangeiro que demora dois meses para vir pro Brasil? E quanto as séries, temos que esperar alguma emissora comprar os direitos? Esperar chegar no Netflix? Infelizmente, devido a burocracia, não se tem muito o que fazer. A emissora, ou serviço de stream tem que contratar a empresa que representa o estúdio, ver a questão da disponibilidade, dublagem, legendas, quantos episódios da série pode usar, etc.
Ninguém vai querer esperar 1 ano, no mínimo, para assistir a série, ou anime que gosta. Além de que muitas coisas nem chegarão aqui.
O que dá pra concluir é: enquanto não se chegar num consenso sobre preços e velocidade na distribuição, jogue no Google o que você quer, baixe, ou assista e, se gostar e tiver dinheiro, compre, por que isso vai demorar para se resolver. E só começará a mudar a partir dos próprios estúdios, artistas, desenvolvedores e fabricantes.
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