MEDOS

13 de maio de 2016 at 15:00 Deixe um comentário

Acompanhando meu filho mais velho percebo que não é só fisicamente que nos parecemos. Toda noite é a mesma história:
– Pai, me leva pra tomar água.
Ele não saí da cama por decreto nenhum.
É fato que quando eu tinha a idade dele também sofria com uma infinidade de medos, porém até maior que o medo de escuro eu morria de medo de bandido.
Alma penada também era motivo dos meus pesadelos.
Acredito que muito desse pânico tenha começado numa noite em que ouvira barulho no telhado da casa e a cada “tum” lá em cima meu coração batia um “TUM” mais alto aqui dentro. Terminando comigo correndo pro quarto dos meus pais, gritando aos berros de “ladrão” por todo o corredor ao escutar algo mexendo na porta dos fundos.
Imagina o rebuliço, meus irmão acordando assustados, minha mãe sem nada entender e meu pai num misto de sonambulismo e dormência foi pegar em cima do guarda-roupas um facão, isso mesmo, um facão desses de cortar cana ou sei lá o quê que meu pai cortava com ele, afinal meu pai nunca cortou cana.
Nisso minha mãe que jamais vi ter medo de nada ria com a janela aberta, vendo do lado de fora um pequeno gato tão assustado quanto nos ali dentro.
Foi daí que liguei os pontos e o barulho derradeiro na porta dos fundos foi as unhas do gato raspando a porta ao cair do telhado.
Porém essa noite foi o começo de um grande tormento para meus pais.
Acontece que eu não queria mais dormir na minha cama e não havia Cristo que fizesse eu mudar de ideia.
Ou colocava um colchão do lado da cama de meus pais ou quando eu aprontava muito e me era negado essa oportunidade eu corria deitar junto com os meus irmão. Contudo havia um inconveniente, um dos dois ou os dois ainda faziam xixi na cama e na maioria das vezes o medroso acordava molhado.
Um dia aos prantos confessei a minha mãe que não queria que chegasse a noite, afinal era só fechar os olhos e as imagens assustadoras pairavam sobre o meu semblante.
Ela que sempre teve um coração maior que tudo, foi investigar o porquê disso. Não… é claro que não foi com um psicólogo, estamos falando de meados dos anos 1980 e se o problema de ter um filho sendo consultado por um profissional desse porte já causava no mínimo estranheza na vizinhança, seu preço exorbitante tornava-o inviável naquele momento.
Então ela foi atrás de algo mais simples e no modo de ver daquela época mais nobre, uma benzedeira, isso aquelas senhorinhas que faziam milagres com um raminho nas mãos.
Não vou mentir, eu adorava ir lá. E não é que funcionava. Sempre que saia de lá, seja pelo poder da fé daquela senhora ou pela minha eu tinha noites maravilhosas, até que dias depois os sonhos voltavam.
A última dica que minha mãe recebeu foi a de “purificar” o colchão com um banho de sol e sal grosso. Batata, nunca mais tive os tais sonhos.
A explicação era que uma entidade de outro mundo, um fantasma, uma alma, um espírito estava tomando posse do meu colchão… Incrível né?!?
O medo do escuro eu enfrentei sozinho. Indo e vindo a lugares desprovidos de luz, entrando em matas escuras, “desbravando” o interior do porão da minha casa nas mais tenras horas da madrugada, levando amigos que moravam nos sítios próximos da cidade a pé e voltando sozinho, atravessando a ponte assombrada pela “noiva” bruxa…
Já o medo dos espíritos se transformou em conhecimento ao me converter ao espiritismo.
Hoje medo mesmo eu tenho quando chega a conta de luz.

                Inibmort

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