Adolescência

22 de abril de 2017 at 18:38 Deixe um comentário

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A vida é assim mesmo, num minuto nos transforma de meros coadjuvantes a ilustres conhecidos.
Foi o que aconteceu comigo e com certeza acaba ocorrendo com quase todas as pessoas na adolescência.
Não que eu era uma pessoa introvertida, longe disso, sempre gostei de “aparecer”, seja no time do interclasse, nas apresentações das datas comemorativas ou mesmo liderando um bloco de carnaval.
Porém quando o assunto era namoro, a coisa demorou um pouco pra engrenar.
Por ter nascido em março, na maioria das turmas dos anos letivos eu era sempre um dos mais velhos da sala.
Como tinha espelho em casa, desde cedo percebi que minha aparência mais ajudava do que incomodava. Principalmente depois que deixei o cabelo crescer.
E por falar em cabelo comprido, a história de Sansão e Dalila tem algum fundo de verdade, pois quantos garotos tímidos se tornavam extrovertidos após o crescimento de suas madeixas.
Amigos que pouco ou nada falavam, tornavam-se o centro das atenções logo que seus cabelos começavam a atingir a altura do ombro.
Não posso garantir com cem por cento de precisão, mas o fato de ser roqueiro também dava uma mão.
As roupas pretas, camisas de banda, os tênis de cano longo, nos davam um ar diferenciado.
Qual garota não reparava naquele sujeito “rebelde”.
Lógico que de rebelde eu não tinha nada, na verdade sempre fui muito bom filho, tirava boas notas, estudava dois períodos, sempre respeitava os horários.
Fui motivo de chacota durante um tempo em consequência desse bendito horário. Quantas vezes fui surpreendido pelo relógio da Matriz a badalar dez vezes às vinte duas horas, que era o horário combinado com meus pais para estar em casa. Vira e mexe lá ia eu correndo feito um doido, como uma Cinderela, pra chegar em casa a tempo e não levar uma bronca.
Porém graças a esses esforços consegui conquistar a confiança dos velhos.
Feito meus quatorze anos, que era a idade pra frequentar os bailes, nunca mais foi me cobrado horário para chegar em casa. Mais sorte teve meus irmãos, afinal se o mais velho pode chegar tarde porque eles não podiam?
Entretanto o que venho contar aqui hoje foi um episódio ímpar da minha juventude. Episódio esse que me fez reavaliar meus valores.
Tudo ocorria bem no curso técnico de Processamento de Dados, que eu fazia no Instituto Americano de Lins (IAL) além de fazer o que eu gostava, contava com uma ótima turma, que mesclavam pessoas de uma diversidade cultural e socioeconômica.
Filhinhos de papai que viviam o fino da vida e trabalhadores que ralavam o dia inteiro e se esforçavam a noite para conseguir um diploma muito cobiçado na época.
Confesso que nunca fui filhinho de papai, porém a vida não me era tão pesada assim.
Dentre os amigos que fiz durante o curso, uma garota se tornou especial e começamos a namorar.
Pessoa maravilhosa, inteligentíssima, carinhosa e principalmente amiga. Mesmo com toda a dificuldade em conseguirmos tempo para ficarmos juntos, afinal eu só conseguia vê-la durante as aulas, o namoro ia bem.
Contudo eu acabei traindo-a com uma antiga namorada daqui da cidade.
E durante uma aula de biologia, sem entender o porquê da pergunta que a professora me fez, se eu sabia o que era bigamia, foi que percebi que alguém tinha revelado esse meu deslize.
Infelizmente ela nunca mais me aceitou como um namorado, continuamos amigos e até hoje ainda mantemos contato nas redes sócias.
Porém naquele dia eu aprendi que nenhuma mentira se mantém por muito tempo oculta e principalmente que devemos respeitar as pessoas que queremos bem e principalmente quando assumimos um compromisso.
Nem preciso comentar com que cara eu fiquei durante aquela aula de biologia…
***
Dica: Ouça o disco “Acoustica” dos Scorpions, se possível assiste ao DVD. Música que agradará todas as tribos.

            Inibmort

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