Cupido

13 de maio de 2017 at 14:45 Deixe um comentário

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Era pra ser mais uma manhã qualquer, acordar os filhos, preparar o café pro marido, verificar se as suas coisas estavam corretas, pentear os cabelos, passar um batonzinho e partir para mais um dia de jornada.
O que ela não esperava é que o Cupido resolvera aprontar.
Não era possível, os anjos só poderiam estar de brincadeira, quem poderia explicar o ocorrido, ainda mais naquela idade, com os hormônios em guerra por causa da menopausa.
Porém o suar frio, as palpitações, a boca seca, eram indícios de que o amor renascera.
Já fazia alguns dias que ela se apanhava divagando, esquecendo o que estava fazendo, meio que perdida em seus pensamentos.
A culpa já não fazia parte da sua vida. Tudo que passara naqueles vinte e cinco anos de casada a absolvia de qualquer peso na consciência.
Sempre foi uma ótima esposa fiel, dedicada. Não fora uma ou duas vezes que descobrira e acabara perdoando os deslizes do esposo. Mesmo sua ausência no cuidado dos filhos, suas pescarias, noitadas em bares ou a jogatina desvairada.
Portou-se a vida toda com uma classe exemplar, comportamento exigido à maioria das senhoras da sua estirpe.
Acompanhou a derrocada de algumas amigas, que viam seus casamentos ruírem e no final acabavam divorciadas, solitárias e muitas vezes necessitando mendigar uma pensão para o ex.
Graças a Deus ela sempre fora independente. Tinha suas economias, nunca foi de viver na barra do marido. Olhava pra trás e se orgulhava do que conseguiu com o esforço de seus braços.
Nunca fora insensível, amava seu marido, porém após tantos anos, eram mais amigos do que amantes. As noites quentes de outrora foram se transformando em momentos mornos, quiçá frios.
Há muito o sexo deixou de ser prioridade em seu relacionamento, tinha a total convicção que mais por sua culpa do que a do marido, ele até que tentou manter a chama acesa, porém ela não tinha mais o pique de antes.
O filho mais velho estava cursando o último ano da faculdade de engenharia e a mais nova começando o curso de psicologia. Logo seria só ela e o Zé, como tratava o homem que ela jurava que era o da sua vida.
Até aquela dia…
Tudo começou infantilmente, com algumas brincadeiras no expediente.
Os happy hour nas sextas-feiras foram aos pouco se tornando insuficientes e os encontros foram se multiplicando.
Claro que ela sempre levou aquilo como uma bonita amizade, até necessária, pois fora o ambiente informal de trabalho sua vida era traçada de casa para a firma e vice versa.
A coincidência de gostos, só lhes aproximava mais, acabavam lendo os mesmos livros para depois debaterem sobre a história o mesmo com os filmes, séries…
Tudo parecia normal, até que se encontraram ocasionalmente numa casa de massagem, sentaram-se lado a lado durante a sauna e começaram a reparam em seus corpos, notando que apesar da idade eles continuavam fortes e bonitos.
E naquela de um apertar os membros do outro para conferir como ainda se mostravam rijos e sentiu uma mão no seu seio e foi nesse momento que a flecha a atingiu em cheio.
Com a sauna vazia ela aproveitou a oportunidade para também tocar no seio da amiga e sentindo a cumplicidade, beijo-a ali mesmo.

Inibmort

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Laura Keller Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017)

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