Posts tagged ‘Conto’

Cupido

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Era pra ser mais uma manhã qualquer, acordar os filhos, preparar o café pro marido, verificar se as suas coisas estavam corretas, pentear os cabelos, passar um batonzinho e partir para mais um dia de jornada.
O que ela não esperava é que o Cupido resolvera aprontar.
Não era possível, os anjos só poderiam estar de brincadeira, quem poderia explicar o ocorrido, ainda mais naquela idade, com os hormônios em guerra por causa da menopausa.
Porém o suar frio, as palpitações, a boca seca, eram indícios de que o amor renascera.
Já fazia alguns dias que ela se apanhava divagando, esquecendo o que estava fazendo, meio que perdida em seus pensamentos.
A culpa já não fazia parte da sua vida. Tudo que passara naqueles vinte e cinco anos de casada a absolvia de qualquer peso na consciência.
Sempre foi uma ótima esposa fiel, dedicada. Não fora uma ou duas vezes que descobrira e acabara perdoando os deslizes do esposo. Mesmo sua ausência no cuidado dos filhos, suas pescarias, noitadas em bares ou a jogatina desvairada.
Portou-se a vida toda com uma classe exemplar, comportamento exigido à maioria das senhoras da sua estirpe.
Acompanhou a derrocada de algumas amigas, que viam seus casamentos ruírem e no final acabavam divorciadas, solitárias e muitas vezes necessitando mendigar uma pensão para o ex.
Graças a Deus ela sempre fora independente. Tinha suas economias, nunca foi de viver na barra do marido. Olhava pra trás e se orgulhava do que conseguiu com o esforço de seus braços.
Nunca fora insensível, amava seu marido, porém após tantos anos, eram mais amigos do que amantes. As noites quentes de outrora foram se transformando em momentos mornos, quiçá frios.
Há muito o sexo deixou de ser prioridade em seu relacionamento, tinha a total convicção que mais por sua culpa do que a do marido, ele até que tentou manter a chama acesa, porém ela não tinha mais o pique de antes.
O filho mais velho estava cursando o último ano da faculdade de engenharia e a mais nova começando o curso de psicologia. Logo seria só ela e o Zé, como tratava o homem que ela jurava que era o da sua vida.
Até aquela dia…
Tudo começou infantilmente, com algumas brincadeiras no expediente.
Os happy hour nas sextas-feiras foram aos pouco se tornando insuficientes e os encontros foram se multiplicando.
Claro que ela sempre levou aquilo como uma bonita amizade, até necessária, pois fora o ambiente informal de trabalho sua vida era traçada de casa para a firma e vice versa.
A coincidência de gostos, só lhes aproximava mais, acabavam lendo os mesmos livros para depois debaterem sobre a história o mesmo com os filmes, séries…
Tudo parecia normal, até que se encontraram ocasionalmente numa casa de massagem, sentaram-se lado a lado durante a sauna e começaram a reparam em seus corpos, notando que apesar da idade eles continuavam fortes e bonitos.
E naquela de um apertar os membros do outro para conferir como ainda se mostravam rijos e sentiu uma mão no seu seio e foi nesse momento que a flecha a atingiu em cheio.
Com a sauna vazia ela aproveitou a oportunidade para também tocar no seio da amiga e sentindo a cumplicidade, beijo-a ali mesmo.

Inibmort

13 de maio de 2017 at 14:45 Deixe um comentário

Verdades e uma mentira

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Diariamente pipocam nas redes sociais ou mesmo no vasto mundo da web, brincadeiras, desafios, jogos para entreter o usuário, seja no computador, celular ou tablet.
Recentemente o jogo intitulado “Baleia Azul” vem estremecendo os nervos de pais e responsáveis de todos os cantos do mundo.
Diz a lenda que o jogo cria uma série de cinquenta desafios até que o último exige que a pessoa tire a própria vida.
Questionando algumas crianças do por que a pessoa teria que continuar a executar os desafios, mesmo sabendo do final trágico, elas responderam que se desistissem eles seriam perseguidos pelos criadores do aplicativo.
Compreensivo pela faixa etária, não entenderem que se continuassem com as sandices dos desafios elas não seriam perseguidas, porém lembrei-as que a última prova era dar cabo da própria vida.
Ahhhhhhhhhh! Disseram ao entender que tudo não passa de uma grande estupidez, mas orientamos que caso recebessem algo do gênero procurasse a ajuda de pessoas esclarecidas.
Mas nem só de maçãs podres alimenta-se o mundo digital. Dias atrás me deparei com uma brincadeira, diria até inocente, porém de grande sacada do seu criador.
Resumidamente trata-se de uma lista com algumas verdades e apenas uma mentira daquele que deseja se expor.
Meia hora descendo, ou subindo (sei lá, nunca entendi direito como funciona o Facebook) encontrei dezena de “amigos” revelando suas verdades e dentre elas uma mentira.
Quem realmente é amigo sabia qual das alternativas era irreal, porém os conhecidos, como no meu caso, ficavam intrigados com muitas das peripécias daquela pessoa.
Curiosos que somos, confesso que foi muito divertido saber um pouco mais da vida alheia e olha que algumas pessoas foram fundo e confessaram histórias do arco da velha.
Aproveitando-me dessa onda, vou colocar aqui algumas verdades do que andei fazendo nesses meus quarenta e dois anos e apenas uma mentira que estarei revelando semana que vem:
– Meu pai tem sete irmãos e minha mãe oito, todos casados e com filhos e até hoje todos os parentes dizem que fui o mais terrível de todos os meus primos.
– Dos oito aos dez anos não dormia de jeito nenhum na minha cama, era só fechar os olhos e me deparar com pesadelos horríveis, até que minha mãe foi em uma benzedeira e deu um “banho” de sol com sal grosso no meu colchão para espantar um espírito que teimava que aquela cama era dele.
– Fiquei acordado por mais de trinta e seis horas na última Gincana da Boate Fênix, aonde era um dos líderes da Turma 1, a recompensa foi a vitória.
– Em 1994 meus amigos me homenagearam numa camiseta de um bloco que estampava uma cédula e seguia com os dizeres: “Tudo que abunda não disbunda” ou algo do gênero, acusando-me de mercenário. Também Fizemos um bloco com cédulas na camisa, porém criticando a real situação do nosso país. Consequência: levamos o troféu de campeão.
– Sou presidente de um Centro Espírita, aonde dou palestra há mais de quinze anos.
– Uma piranha (peixe) mordeu a palma da minha, naquele local que não conseguimos morder.
– Já tive três namoradas ao mesmo tempo, porém hoje estou com a minha esposa há 22 anos.
– Tomo um litro de leite todos os dias.
– Nunca fui numa zona de meretrício.
– Jogava futebol de salão descalço, no tempo que a bola era bem mais dura que a de hoje.
– Não posso tomar uísque que viro macaco, porém tomo vodka pura sem me causar muitos problemas.
– Nunca quebrei um osso do meu corpo.
Caramba! Já acabou o espaço… faria isso o dia inteiro rsrsrsrs
Bem… tentem descobrir aonde estou mentindo, semana que vem eu conto.
***
Dica: quem tem Facebook, faz a sua lista com verdades e mentira e marca o meu nome (Reinaldo Trombini Junior) para que eu possa ler.

         Inibmort

29 de abril de 2017 at 16:00 Deixe um comentário

Adolescência

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A vida é assim mesmo, num minuto nos transforma de meros coadjuvantes a ilustres conhecidos.
Foi o que aconteceu comigo e com certeza acaba ocorrendo com quase todas as pessoas na adolescência.
Não que eu era uma pessoa introvertida, longe disso, sempre gostei de “aparecer”, seja no time do interclasse, nas apresentações das datas comemorativas ou mesmo liderando um bloco de carnaval.
Porém quando o assunto era namoro, a coisa demorou um pouco pra engrenar.
Por ter nascido em março, na maioria das turmas dos anos letivos eu era sempre um dos mais velhos da sala.
Como tinha espelho em casa, desde cedo percebi que minha aparência mais ajudava do que incomodava. Principalmente depois que deixei o cabelo crescer.
E por falar em cabelo comprido, a história de Sansão e Dalila tem algum fundo de verdade, pois quantos garotos tímidos se tornavam extrovertidos após o crescimento de suas madeixas.
Amigos que pouco ou nada falavam, tornavam-se o centro das atenções logo que seus cabelos começavam a atingir a altura do ombro.
Não posso garantir com cem por cento de precisão, mas o fato de ser roqueiro também dava uma mão.
As roupas pretas, camisas de banda, os tênis de cano longo, nos davam um ar diferenciado.
Qual garota não reparava naquele sujeito “rebelde”.
Lógico que de rebelde eu não tinha nada, na verdade sempre fui muito bom filho, tirava boas notas, estudava dois períodos, sempre respeitava os horários.
Fui motivo de chacota durante um tempo em consequência desse bendito horário. Quantas vezes fui surpreendido pelo relógio da Matriz a badalar dez vezes às vinte duas horas, que era o horário combinado com meus pais para estar em casa. Vira e mexe lá ia eu correndo feito um doido, como uma Cinderela, pra chegar em casa a tempo e não levar uma bronca.
Porém graças a esses esforços consegui conquistar a confiança dos velhos.
Feito meus quatorze anos, que era a idade pra frequentar os bailes, nunca mais foi me cobrado horário para chegar em casa. Mais sorte teve meus irmãos, afinal se o mais velho pode chegar tarde porque eles não podiam?
Entretanto o que venho contar aqui hoje foi um episódio ímpar da minha juventude. Episódio esse que me fez reavaliar meus valores.
Tudo ocorria bem no curso técnico de Processamento de Dados, que eu fazia no Instituto Americano de Lins (IAL) além de fazer o que eu gostava, contava com uma ótima turma, que mesclavam pessoas de uma diversidade cultural e socioeconômica.
Filhinhos de papai que viviam o fino da vida e trabalhadores que ralavam o dia inteiro e se esforçavam a noite para conseguir um diploma muito cobiçado na época.
Confesso que nunca fui filhinho de papai, porém a vida não me era tão pesada assim.
Dentre os amigos que fiz durante o curso, uma garota se tornou especial e começamos a namorar.
Pessoa maravilhosa, inteligentíssima, carinhosa e principalmente amiga. Mesmo com toda a dificuldade em conseguirmos tempo para ficarmos juntos, afinal eu só conseguia vê-la durante as aulas, o namoro ia bem.
Contudo eu acabei traindo-a com uma antiga namorada daqui da cidade.
E durante uma aula de biologia, sem entender o porquê da pergunta que a professora me fez, se eu sabia o que era bigamia, foi que percebi que alguém tinha revelado esse meu deslize.
Infelizmente ela nunca mais me aceitou como um namorado, continuamos amigos e até hoje ainda mantemos contato nas redes sócias.
Porém naquele dia eu aprendi que nenhuma mentira se mantém por muito tempo oculta e principalmente que devemos respeitar as pessoas que queremos bem e principalmente quando assumimos um compromisso.
Nem preciso comentar com que cara eu fiquei durante aquela aula de biologia…
***
Dica: Ouça o disco “Acoustica” dos Scorpions, se possível assiste ao DVD. Música que agradará todas as tribos.

            Inibmort

22 de abril de 2017 at 18:38 Deixe um comentário

Ermitão

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De repente ele resolveu jogar tudo pro ar, saiu do Facebook, apagou os grupos do Wattsapp, não assistia mais jornal, muito menos os lia.
Cansou de tanto sofrimento alheio, tanta dor.
Queria ficar longe dos chororos que os “amigos” postavam nas redes sociais, cansou das mesmas mensagens compartilhadas nos diferentes grupos.
Não lhe interessava se ia ou não ter festa, baile ou qualquer evento, mesmo que as crianças estavam passando necessidade.
A partir daquele momento pouco importava se a reforma da previdência ia fazê-lo trabalhar até a morte.
Que diferença fazia se o vice do presidente que sofreu impeachment estava interessado em destruir a nação.
E pior ainda, ouvir os insultos das mesmas pessoas que o colocaram no poder.
Acreditava que ninguém é totalmente mau e por outro lado estava muito difícil de encontrar Santos nos dias atuais.
Porém aquela enxurrada de maus agouros acabava com sua paz.
Infelizmente ainda não podia se isolar, pegar sua trouxa de roupa e se alocar num rancho qualquer bem longe da população.
Tinha uma família, fazia parte daquela sociedade, entretanto começou a estabelecer algumas regras para facilitar o convívio com aqueles que lhes eram caros.
No primeiro desvio que uma conversa sua com outra pessoa dava pro baixo astral, ele logo invocava os três crivos de Sócrates.
Quando começavam a lhe indagar:
– Ah! Você viu o que fulano fez?
Automaticamente ele lançava uma nova questão:
– Por favor, antes de me dizer o que ele fez, confirme se tem certeza que essa história é verdadeira? É sobre bondade ou se tem alguma utilidade?
Lógico que com isso ele foi perdendo amigos, porém foi ganhando cada dia mais tranquilidade.
Pouco se interessava se o dólar estava alto ou se a bolsa tinha caído.
Muito se enganavam aqueles que pensavam que o nosso amigo não se importava com o futuro, muito pelo contrário, sem que ninguém precisasse saber ele fazia uma infinidade de serviços beneficentes.
Desde visitar os velhinhos nas casas de repouso, até auxilio financeiro às famílias carentes.
A transformação não veio da noite para o dia, de acordo com o que ele ia vivenciando e deixando de observar ele ia crescendo moralmente.
Aqueles amigos que o privaram da sua companhia nunca mais retornaram, todavia ia se formando a sua volta uma gama de novas almas, pessoas que iam aprendendo com aquele homem, muitos tentaram seguir-lhe os exemplos, poucos conseguiram.
Afinal, arraigados na matéria o bicho homem tem dificuldades em se isolar do que lhe chama a atenção, daquilo que lhe atiça a curiosidade.
Quantos já tentaram deixar o vício, mesmo que seja o da língua e não conseguiram.
Só o tempo pode curar os estragos que uma acusação jogada ao vento pode causar.
Entretanto quando estamos dispostos a uma mudança drástica em nossas atitudes, com o intuito de evoluir, o primeiro passo é nos afastarmos daquilo que está nos fazendo mal e consequentemente adquirir experiência para moldar nossos novos passos e começarmos a caminhar numa direção que não terá mais volta: na direção da Luz.

***
Dica: Seguir os ensinamentos de Santo Agostinho, que analisava seus dias sempre antes de dormir.

                    Inibmort

15 de abril de 2017 at 15:00 Deixe um comentário

Filhos

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Vendo-os sadios, correndo, brincando, expressando aquele belíssimo sorriso que só as crianças possuem, confesso que me sinto realizado.
Os esforços que desempenhamos constantemente para passar uma imagem em que eles possam se espelhar compensa os dias difíceis que temos que ocultar ao chegar em casa.
Lógico que ninguém é de ferro, nem sempre conseguimos disfarçar as dores do mundo e infelizmente acabamos contaminando o nosso lar.
Nesses momentos aquele contar até dez pode funcionar, outras vezes os olhos límpidos dos pequenos tornam-se bálsamos reconfortadores.
Convencê-los que não existe nada debaixo da cama, nem monstros no armário, remete-nos a nossa própria infância.
O pranto que surge do nada e do nada desaparece, as birras para conseguirem a todo custo o que desejam, as manhas, beiços, tudo isso faz parte do pacote. Tenho certeza que um dia vamos sentir falta.
Acompanhar as primeiras sílabas e os passos iniciais, principalmente hoje que estamos dotados com câmeras e celulares a todo momento, tornam-se momentos marcantes na vida de todo pai.
Vê-los evoluindo diariamente, com seus carrinhos, super-heróis, trens e aviões, o domínio dos jogos eletrônicos, seja nos smartphones, tablets ou vídeo games.
O linguajar se alterando, transformando-se de um balbuciar em palavras e logo frases inteiras.
Ser pai é se encantar todos os dias com cada novidade, as primeiras letras, o primeiro gol, o primeiro amor.
Se impressionar com sua força no Judô, emocionar-se com a apresentação de teclado ou apenas levá-los a um passeio no shopping.
Não há filho ou filha que não prefira a mãe do que ao pai, é natural, afinal foi nela que eles passaram nove meses, que se amamentaram, que receberam sempre um carinho especial. A maioria dos pais são mais sisudos, durões, diria até justos, a mãe sempre tem o coração mais mole.
Nem por isso nos sentimos inferiores, ser pai é entender essas situações e nos adaptar a elas, principalmente por que também amamos aquela mulher.
Não é necessário mendigarmos amor, carinho, atenção, deixe-os livres e quando menos se espera lá vêm eles, com as mãos sujas de barro, a boca borrada de chocolate, nos abraçar, beijar, demonstrar a sua gratidão por estarmos com eles.
Temos sim que ir aos poucos preparando o terreno, ensinando-lhes o que é certo e afastando-os do errado, para que não virem párias da sociedade, para que se transformem em homens de bem.
Nada mais reconfortante quando um pai ouve do seu filho digno frases como: “meu pai foi meu exemplo”, “aprendi com meu pai”, “meu pai me criou assim”.
Num país em que estamos acompanhando nos últimos tempos homens que eram para serem exemplos de seus filhos, chafurdados na lama podre da corrupção, da violência, do mau-caratismo, fica a responsabilidade pra todos que almejam um mundo melhor, preparar nossos rebentos para comandar esse país num futuro próximo com muita honra, dignidade, justiça, igualdade… com muita honestidade!

Inibmort

1 de abril de 2017 at 16:13 Deixe um comentário

Almoços de Domingo

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Há alguns anos, quando eu recebi a notícia do falecimento do meu sogro, um pesar maior se abateu sobre meus pensamentos.
Claro que o motivo maior do nosso sofrimento seria a sua ausência física em nossas vidas, contudo uma outra ausência se notaria com o passar do tempo.
Nunca vou esquecer aquele dia que entrei naquela casa onde passamos momentos maravilhosos, logo após seu sepultamento.
Minha sogra já havia partido para pátria maior há alguns anos e a sensação do vazio que imperava naquele lar enregelava os ossos.
Confesso que logo após aquele dia, pouco voltei lá e às vezes que necessitava estar presente, logo arranjava uma desculpa para ir embora.
A morte sempre existiu, desde o primeiro ser humano que nasceu até os dias atuais, ainda não conhecemos ninguém que teve a oportunidade de viver eternamente, pelo menos com o corpo de carne.
Nossa cultura de chorar os mortos, dificulta aceitarmos a dama de negro.
Não estou dizendo que é fácil entender a partida de entes queridos, muito pelo contrário o sentimento que nutrimos não se acaba com o fechar do ataúde.
Entretanto o que me leva hoje a tecer essas considerações não é sobre os extintos, mas as consequências que muitas mortes ocasionam.
Infelizmente foi o que aconteceu em nossa família.
Quando disse que evitei voltar àquela casa, não foi em relação aos pesares para com meus sogros, afinal não seria um local que direcionaria meus sentimentos a eles.
A lembrança que vou guardar dessas pessoas especiais que me aceitaram como um filho não pode se legar ao físico, mas estarão eternamente vivos em meu coração.
O que me causou e continua causando uma enorme tristeza, não só de adentrar àquele local, mas também quando passo defronte a ele é o vazio que lá ficou.
Lembro-me dos eternos Natais que passamos ali e como cheguei tarde, pois minha esposa temporã, também conhecida como “raspa do tacho”, diferencia-se em quinze anos da sua irmã, perdi muitas das reuniões, porém vi a família crescendo com a chegada dos meus sobrinhos e os filhos desses.
Quantos momentos incríveis vivemos ali, aniversários, páscoas, feriados mil ou mesmo sem nenhum motivo a família toda se reunia para comer o churrasco do “Véio”.
Hoje, após dois anos do seu desencarne começo a entender o porquê dos calafrios que senti naquele dia ímpar.
Nada mais normal que a casa que eles viveram seus últimos dias ficasse vazia, até que seu dono resolva o que fazer dela.
O que não consigo compreender é do porque a cada dia a distância entre os entes queridos tornam-se a cada vez maior.
Mesmo os que moram na cidade ficam semanas sem se ver, já os residentes fora, meses.
A matemática é simples, todavia não é a correta. Todos os domingos nos encontrávamos ali, não no intuito de filar uma boia, mas para desfrutarmos da sua companhia.
Hoje sem os patriarcas presentes, cada um deu destino diferente aos almoços dominicais. As festas são esporádicas e nem todos podem comparecer, com isso vai ficando esse vazio.
Devíamos começar a agendar almoços, alternando as casas, assim ficará mais fácil a visita dos meus sogros, que hoje tem que ficar correndo de casa em casa, pra poder ver como anda os seus, nas tardes de domingo.

       Inibmort

11 de março de 2017 at 15:00 Deixe um comentário

Alô

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Foi no comecinho de 1985 que minha família adquiriu o primeiro telefone, ainda de disco, se não me engano meio esverdeado, pesava mais de um quilo. Não era tão grande, ficava na estante em cima do aparelho televisor e quando tocava era uma guerra pra ver quem conseguia chegar primeiro para atendê-lo.
Naquela época ligar pra Lins era só discar 22 **** e após alguns segundos de espera alguém dizia alô do outro lado. O tempo foi passando e hoje além do 35 que precisamos inserir por causa do aumento da demanda, também é necessário colocar um código de área, no caso o 014 que engloba inúmeras cidades vizinhas.
Sabíamos de cabeça a maioria dos números telefônicos que usávamos diariamente. Dificilmente recorríamos a uma agenda.
Porém o tempo foi passando e a briga para atender as chamadas eram outras:
– Vai você…
– Não atende você, eu estou ocupado…
– Atende aí, não posso perder um segundo da novela…
– Eu não… ninguém liga pra mim…
Entretanto caso a ligação não fosse engano, era algo importante, no mínimo alguém conhecido querendo falar com determinada pessoa daquela residência.
Ninguém usava o telefone como brinquedo, todas as ligações eram cobradas e diga-se de passagem, não eram baratas.
Com o advento da telefonia celular, o telefone ganhou o nome de “fixo”. Quase não tem utilidade, a não ser para os funcionários de telemarketing.
Funcionários esses que devem fazer parte do Guinness Book, o livro dos recordes, como a classe trabalhadora mais odiada de todos os tempos.
Não são poucos que já encontraram uma estratégia para driblar as inúmeras chamadas que os insistentes vendedores executam ao nossos lares diariamente. De deixá-los falando sozinho à deselegância de desligar o telefone na cara do indivíduo. Muitos retiram o aparelho do “gancho”, outros já nem atendem mais as ligações em determinados horários.
Eu também já adquiri uma técnica que vem dando certo: atendo o telefone e fico mudo, dois, três segundo depois eles mesmos desligam, simples né!
Agora quer me deixar nervoso é receber essas ligações no celular, peraí como conseguiram o meu número???
Aceito umas duas vezes, faço a mesma tática do fixo, fico quietinho até desligarem, só que se o mesmo número aparecer três, quatro vezes, então eu atendo e com toda a fineza de um elefante, explico pro indivíduo que não aceito ser incomodado pelo aparelho celular.
Algumas vezes dá certo, outras não.
A melhor diferença do celular pro aparelho telefônico é que no móvel a maioria das ligações são identificadas instantaneamente, afinal as pessoas que nos interessam tem seus números gravados em nossos contatos.
Nesse caso ao atender as ligações ou sermos atendidos conseguimos emitir em nossas vozes algum sentimento, seja ele de felicidade, insatisfação ou indiferença ao ver o nome descrito na tela do aparelho.
Infelizmente em decorrência das agendas eletrônicas que constam nos aparelhos, muitos não sabem o próprio número, imagina o das pessoas que lhes são caras, eu mesmo não guardei até hoje o número da minha esposa. Espero que nunca precise ligar pra ela sem meu celular por perto.
Sem dúvida os aparelhos celulares trouxeram uma enorme facilidade em nossas vidas. Contudo nem tudo são flores, não é sempre que queremos ser perturbados e às vezes somos pegos de surpresa e ao ouvirmos aquele som que determinamos como toque, causando-nos um frio na espinha.
Eu que uso o tema do filme “O Senhor dos Anéis” já não consigo assistir o filme e não ter calafrios cada vez que a música surge numa cena.

     Inibmort

17 de fevereiro de 2017 at 14:00 Deixe um comentário

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